Bio
Considero-me um fotógrafo que recusa o uso da manipulação digital da imagem e o meu processo de trabalho assenta fundamentalmente em investigação empírica. Há pois nas minhas fotografias um processo permanente de interpretar a minha visão da realidade, ficcionando-a, e uma predisposição natural para criar imagens misteriosas. No início de noventa, do século passado, passei a interessar-me pelo retrato como tentativa de síntese de estereótipos, o que comecei a captar em fotografias a preto e branco. Já nos finais da década iniciei um projecto “Nós e os Outros”, que pretendia mostrar formas alternativas da sociedade de consumo massificado. O que era reforçado pela selecção final que surge como uma “galeria de heróis”. Já tinha ensaiado outras experimentações quando na Ásia juntei a Série “Daily Pilgrims”. Abandonara um pouco o estatismo do retrato e procurava o movimento – uma tentação de apanhar o fluxo da realidade. Usei processos que respondiam ao nosso modo de apreender e evocar o mundo em relances imperfeitos, (desfocagem, sobreposição incompleta de imagens no acto de fotografar, grandes planos de pormenor…), mas mantive sempre como objectivos a sedução das imagens e a indeterminação de significado que traz consigo o mistério. Actualmente estou a trabalhar numa nova série “Uncanny Places” que o ponto de partida é a distinção entre a realidade e aparência acentuada pela sua estranheza. Uma estranheza que pode ter uma pluralidade de significados e de matrizes, - espanto, medo, memória, mito, fantasia… - e que visualmente procuro criar.

VirgilioFerreira CV