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Uncanny Places é um projecto que assenta na ambiguidade expressiva de certas imagens. No diálogo entre mim e o mundo exterior, como motor está presente um questionamento sobre a complexidade do mundo. É a partir de pólos opostos, magia e lógica, racionalidade e irracionalidade - que eu pretendo trabalhar. Considero que algumas destas imagens parecem estabelecer uma relação com uma espécie de arquivo obscuro das nossas memórias inconscientes.
O conceito uncanny transporta esta amplitude e potencia distintas trajectórias que interrelacionam acções práticas e simbólicas, que podem ter uma pluralidade de matrizes e de significantes, - espanto, medo, memória, mito, fantasia… - e que visualmente procuro criar. É de uma forma aleatória mas intuitiva que, desprovido de bússola, percorro lugares aparentemente comuns; esta deliberada desorientação a que me submeto potencia encontros com momentos de serendipidade.
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Deste modo, num espaço muito curto de tempo efectua-se uma dupla exposição na mesma imagem, do mesmo acontecimento. Intencionalmente isto cria uma noção de continuidade entre o aqui e o ali, onde dois tempos se sobrepõem no mesmo lugar. A presença dessas duas camadas físicas e temporais na mesma imagem diluem-se em luzes diáfanas e atmosferas etéreas, este efeito contraria o habitual fluxo da percepção.
Iniciei este projecto em 2007 e tenho vindo a desenvolvê-lo em algumas cidades na Europa, Estados Unidos, China e Russia. Com vista a um trabalho rigoroso e sem recorrer a qualquer manipulação digital, as fotografias foram realizadas em médio formato com uso de reversal film, o processo analógico acresce ao mistério destas imagens.
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